quarta-feira, 31 de março de 2010

Walcyr Carrasco e a polêmica dos #OtakusContraGlobo

Recentemente pipocaram no twitter mensagens de críticas destinadas ao autor de novelas Walcy Carrasco numa manifestação que foi parar nos trending topics do Brasil como #OtakusContraGlobo.

Responsável por novelas de sucesso como Xica da Silva da extinta Manchete e por alavancar a audiência das tramas das 18h da Globo, Walcyr se envolveu na polêmica dos otakus quando postou há pouco tempo em seu twitter imagens de sua viagem ao Japão que geraram boatos de que ele escreveria sobre um tema específico em sua próxima novela: otakus. Bastou isso para que o autor fosse atacado em seu twitter com muitas mensagens de repulsa por parte de um grupo de pessoas que se autodenominou otakus. O temor de que tavez a temática fosse ridicularizada na novela promoveu uma onda de agressividade que foi respondida por Carrasco:

"Eu não pretendo falar sobre Otakus na minha próxima novela.Mas se fosse falar, agora estaria com uma péssima impressão depois das agressões"
"Toda essa questão mostra, realmente, o perigo da internet. Alguém inventou que eu iria fazer uma novela sobre cultura jovem pop japonesa…"
"Ninguém me perguntou ser era verdade ou mentira. A falsa notícia se espalhou. E virou verdade na cabeça de muitos…"


Além de outras frases já que o dilema ainda dura em sua página do twitter. Sinto dizer, mas esta é realmente uma situação desnecessária. Todos podiam ter passado sem essa, inclusive o autor. Ele tem razão ao exclamar que ninguém ali além dele poderia afirmar o que é verdade e mentira com relação a novela e a notícia falsa foi seguida e se tornou verdade para muitas pessoas que não se deram o trabalho de questioná-la, mas não hesitaram em agredir. Vamos abrir o olho gente...respeito é bom e todo mundo gosta.

Hashizada final
Para quem não sabe que raios é um otaku digamos que seja uma pessoa que se fecha para um universo imaginário... constrói uma barreira com a realidade... e não aplicamos apenas aos fãs de mangá... vemos otakus obcecados por muitas outras coisas como cantoras pop, games, pornografia. Não é raro vermos casos de ligações afetivas que se formam com objetos como bonecas de personagens da qual são fãs. É como escapar das relações reais... fugir de situações que como humanos, nos propomos a realizar ao viver em socidade: interagir com outros indivíduos.
No Brasil, no entanto, o termo é usado apenas para denominar os fãs de mangás e animes. Os brasileiros preferem andar em grupo e gostam de coisas variadas, diferente do otaku japonês. Assim como existe uma parte saudável do otaku brasileiro não descartamos a existência da parcela radical que busca uma auto-afirmação que exalte os valores daquilo de que se declaram fãs. Essa busca radical é que provoca atitudes desmedidas como a agressão a Walcyr Carrasco...

(Conceituação que tomei por referência a resenha publicada pelo portal Omelete do livro Otaku: os filhos do virtual, de Étienne Barral)

terça-feira, 30 de março de 2010

Hashizada da Meme - Páscoa e Pucca


Para quem vive em outro planeta e não conhece a Pucca, trata-se de uma série de animação produzida em Flash pelo estúdio sul coreano Vooz e levada ao ocidente em associação com a marca Jetix.
Pucca tem uma risadinha meiga apesar de ser hiper forte e muitíssimo apaixonada por Garu um ninja bem sério. Boa parte dos episódios nos deixa a dúvida se ele gosta mesmo dela porque está sempre fugindo de suas investidas amorosas. O pai e os tios de Pucca trabalham no restaurante Goh Rong e ela normalmente faz as entregas numa mobilete muito, muito rápida.

Bom, o que nos interessa é que Pucca se tornou um fenômeno comercial que vende horrores sob todos os formatos: brinquedos, cadernos, canecas, canetas, adesivos, agendas e o escambau. Eu mesma, não nego, gosto muito e compro sem titubear (-_-*). Segundo o hashizeiro Zardblend, por ter um design bem simples, tal qual Hello Kitty e Keropi, Pucca se torna muito agradável visualmente e fácil de memorizar. As cores também são um item que a torna mais atrativa. O vermelho nos remete apetite, também nos remete feminilidade e ao mesmo tempo paixão e romance. Daí temos uma febre comercial que chegou até na Páscoa. Sim, temos ovos de Páscoa da Pucca. Tudo muito bem feitinho, mas claro, o que vale mesmo é o brinde que vem. Temos a versão com canecão e claro, a versão 2010 que nos trouxe a este post.

(versão com canecão e versão 2010 - imagens retiradas de I Love Pucca)

Hashizadas entre chocolates

Foi numa inocente ida a uma loja de departamentos com teto forrado de ovos de chocolate (não mais com formato de ovo) que Tati (Tarako, leitora e crítica do CdH) e eu nos deparamos com vários ovos da Pucca. Felizes e contentes depois de passar por várias partes com ovos cilíndricos, amassados estrategicamente (como o do Batman que eu ainda não entendi o formato de Trakinas) e munidos de brinquedos, copos e canecas, finalmente víamos algo bem, bem esquisito; o squeeze da Pucca. A embalagem dizia que era um squeeze mas num primeiro momento achamos que era um pote, um vaso ou uma lancheira. Alguns segundos depois nos perguntamos onde estaria o maldito chocolate e foi aí que sentimos a protuberância no topo da cabeça do squeeze-pucca. Era um ovo pequeno e pesadinho... maciço.

(imagem da galeria de Aline Ribeiro) - O squeeze

"Que medo", acabei soltando sem querer e ouvi de volta: "sim...". Dois segundos se passaram até que de repente nossas cabeças refletiram em sintonia: "mas espera aí.... você imaginou como seria estranho eu parar na rua e dizer: 'peraí Tati, vou beber água' e de repente retirar de minha mochila um gigantesco squeeze em formato de Pucca?" "Olha, eu vou te dar um desses e vou te obrigar a usar em público" - Tati disse cortando meu devaneio. "Não, muito obrigada".


Esses foram acontecimentos reais, mas é claro que sabemos que por mais que aquilo seja um squeeze não foi lançado pra essa função real, até porquê o bocal é gigantesco e eu provavelmente morreria afogada tentando beber água. O caso é que não só as crianças adoram ( e com certeza têm o privilégio de usar isso em público), mas muitas que são fãs como eu, compram porque é realmente adorável (por mais estranho que seja) e atrai feito feitiço.

(Imagem retirada da galeria de Angelica) - percebam o tamanho do squeeze ali atrás

Os usos do squeeze, pelo que li por aí, variam de potes de bala à vaso ou simples enfeites de mesa, mas o importante é que para quem gosta, alguma utilidade tem e claro que se eu tivesse sido guiada por aquele espírito ardiloso do consumismo que sobrevive dentro de mim, eu também teria comprado. E olha que nem citei os brinquedos do Mc Lanche Feliz que trazem desta vez Naruto e Pucca. Ai ai... aonde é que eu vou parar? Só hashizando mesmo, pra não chorar.

Florada da sakura


É tempo de florada das cerejeiras, sakura, no Japão. A cerejeira é árvore símbolo do Japão e floresce uma vez ao ano durante uma ou duas semanas. Sakura é também símbolo de felicidade e seu florescer marca não apenas o início da primavera, como também o ínicio do ano escolar das crianças.
Por conta do curto período de vida a flor de cerejeira constitui uma simbologia à brevidade da vida... simbolizam transição e efemeridade.
Crê-se que no Japão há cerca de 200 espécies de cerejeiras com tonalidades que vão do vermelho ao branco. Aqui no Brasil são poucas as variedades que conseguiram se desenvolver com sucesso por conta da variação climática que não ajuda muito.
O início da primavera é comemorado com muito entusiasmo no Japão com os hanami (apreciação das flores) e piqueniques sob a florada. Curiosamente nos Estados Unidos também há festejos que comemoram a florada das cerejeiras como a Washington National Cherry Blossom Festival.

O panda e o galho

Um panda e sua reação humanamente furiosa com o galho partido. Muito bom!



Fonte: Oceanus

domingo, 28 de março de 2010

Kamen Ren-Ai-der e Freshmen!!!

Kamen Ren-Ai-der, serviço para dar mais emoção a donas-de-casa entediadas:






Já se imaginou ser um senhor do mal num super sentai estilo "a la Power Rangers"!?




Rsrsrsrsrs
Provavelmente quem é da época de Jaspion, Flashman, Changeman (quem nasceu na década de 80) deve se identificar muito com essas paródias que foram feitas por um grupo musical pop japonês chamado SMAP.

SMAP, simplificando, é uma espécie de Backstreet Boys japonês, mas eles atuavam muito antes deles, provavelmente decorrente do sucesso do New Kids on the Block (me sinto um ancião dissertando sobre o assunto) que surgiram em 1986.

A diferença é que eles sobrevivem desde 1988 como boy-band, e diferente das bandas falecidas, fazem também programas diferenciados e humorísticos como esses que cativam até mesmo o público masculino rsrsrs.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Robô-paciente para estudos odontológicos

Foi apresentado esta semana em Tóquio, Hanako Showa, robô desenvolvido por um grupo de pesquisadores da Universidade Showa para ajudar os estudantes de Odontologia. Bom para eles e bom para as cobaias, não é?
Segundo a Universidade, o robô é capaz de reproduzir reações fisiológicas que vão desde o mover dos olhos até o mover da língua.

(Aqui, robô na versão "sinto dor")

Mais de 80 estudantes já treinaram suas habilidades no robô.



quinta-feira, 25 de março de 2010

Akira Kurosawa



Nesta última terça-feira, 23 de Março, comemoramos 100 anos de Akira Kurosawa. Mesmo quem não o conhece já ouviu vagamente seu nome, ou pelo menos ouviu falar de filmes que nasceram por suas mãos, como Os Sete Samurais, Kagemusha, Sanjuro, Rashomon e Ran.
São Paulo e Rio de Janeiro realizaram nesta semana mostras e homenagens a Kurosawa que ainda podem ser aproveitadas, como a Mostra Kurosawa na Cinemateca (Largo Senador Raul Cardoso, 207) de graça até dia 28. No Rio o Instituto Moreira Salles promove a revisao da obra de Kurosawa e no dia 26 um debate as 19h com participação de Walter Salles, seu fã.
Uma vez quando criança ouvi o comentário de minha mãe referindo-se à Kurosawa como um gênio que parecia fazer de seus filmes uma pintura. De fato Kurosawa desejava ser pintor e começou a trabalhar na empresa de cinema Toho para financiar seu sonho. Graças a ele o Ocidente pôde descobrir o cinema japonês, embora no Japão seja considerado um pouco ocidental demais. Citar um exemplo é fácil; a partir de os Sete Samurais veio Sete Homens e Um Destino e de Rashomon veio As Quatro Confissoes de Martin Ritt.
Por mais que eu não seja extrema conhecedora de seus filmes, tenho o privilégio de ter acompanhado muitos e a audácia de sugerir alguns. Sonhos (1990), por exemplo, marcou minha infância. Eu não poderia compreender as histórias como hoje, mas eu compreendia trechos da cultura japonesa que muitos ocidentais ainda não são capazes de fazê-lo.
Este, na verdade era um post para sugerir Madadayo, de 1993, uma das obras de cunho testamental da fase final de sua carreira. Madadayo mostra de uma forma leve e as vezes cheia de humor a relação professor-aluno, muito acentuada no Japão. É a história real de Hyakken Uchida, professor que após 30 anos lecionando alemão se aposenta e torna-se escritor. Todos os anos seus alunos realizavam o "Ma-ah-da-kai", uma festa em seu aniversário. A escrita ideográfica de Ma-ah-da-kai foi retirada da brincadeira de esconde-esconde.

"No Japão as crianças se escondem e o que se põe a procurar pergunta cantarolando “ma-ah-da-kai” ou “mou i-i-kai (agora já posso?) ao que os demais respondem também melodiosamente “madadayo” (ainda não) ou, se já estão escondidos, “mou i-i-yo” (agora já pode). Todos os anos no Ma-ah-da-kai os discípulos lhe preparam um grande copo de cerveja que o mestre bebe com prazer, ao final lhes cantando, como as crianças, “madadayo”, o que quer dizer naquele contexto, estou bem de saúde e a morte ainda está longe, não pode vir me buscar". (KANEOYA, Iochihiko)



Ainda que na época eu só tenha captado alguns lances do filme, como a bomba na casa, a tristeza pelo sumiço do gato e o lago em forma de donut para que as carpas do jardim nadassem infinitamente, me foi explicado o valor de tudo que é ligado ao conhecimento no Japão; o respeito àquele que ensina e que hierarquicamente está acima de seus ex-alunos seja qual for seu papel na sociedade. Não somente este, mas vários outros aspectos da cultura japonesa são expostos de uma forma muito singela... muito bela num filme que parece extremamente simples.
Eu nunca havia percebido, mas Madadayo realmente marcou a despedida de Kurosawa... foi como libertar o seu espiríto feito criança numa ultima pintura que nos faria ver que a vida só tem sentido se a vivermos completa de sentimentos e sempre com respeito.

E não... eu não cansei de viver ainda.