quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cães do Japão



Quando eu era criança lembro de ver o Marcelo Tas Não sei se na pele do Professor Tibúrcio ou do Telekid (aquele do Castelo Ra-Tim-Bum) repetindo várias vezes: "INU, INU" para explicar que a palavra, na verdade, significava "Cão" em japonês. "INU...INU" Foi praticamente um superbonder na minha mente. Eu nunca esqueci... mas enfim... o foco não é o Marcelo Tas, muito menos as aulas de japonês dele.

Ao que interessa:

Oficialmente são reconhecidos pela FCI, Federação Cinologica Internacional, 10 tipos de cães como raças nativas do Japão: Hokkaido, Kai, Kishu, Shikoku, Tosa, Chin, Spitz Japonês, Terrier Japonês, Shiba e Akita. Dentre eles, as duas últimas raças são extremamente importantes e valorizadas no Japão. Não me refiro puramente à questão comercial, mas histórica e culturalmente as raças Shiba e Akita possuem uma ligação muito forte com os japoneses. Todas as raças de lá são escassas fora de território nipônico o que as torna ainda mais admiráveis (fora o fato de que são muito fofas, todas elas).

O Shiba Inu (cão pequeno) é muito parecido com o Akita, mas um pouco menor. Descendente de lobos é considerado um cão de caça precioso com bom caráter, fiel e independente. O Shiba é considerado a variedade mais antiga originária do Japão e é citado nos primeiros registros japoneses como cães domesticáveis. Durante a II Guerra foram utilizados nos combates o que quase fez com que fossem extintos. Hoje são símbolo econômico e muito populares.




O Akita originalmente estava ligado à caça, mas por algum tempo chegou a ser utilizado em rinhas. Também estava ligado às figuras dos samurais como companheiros na defesa das terras.
Um ótimo cão de guarda, é muito fiel e afetuoso com os donos, mas bem desconfiado com estranhos. A lealdade do Akita, aliás, é relembrada com uma estátua erguida na estação de trem Shibuya, em Tóquio, em homenagem à Hachi-ko, um cão da raça Akita que viveu na década de 20. Ele e seu dono, o Professor Dr. Eisaburo Ueno do Departamento de Agricultura da Universidade Imperial viviam em um bairro próximo da estação de Shibuya onde Hachi-ko normalmente o acompanhava e aguardava diariamente. Após a morte de Eisaburo em 1925, o cão continuou a ir todos os dias à estação para aguardar pelo dono até que o último trem chegasse. Em 1934 quando Hachi-ko partiu, foi enterrado junto com Eisaburo e foi imortalizado pela estátua de bronze chamada Chuken Hachi-ko (Leal cão Hachi-ko) que permanece até hoje na estação de Shibuya.
Há mais histórias e marcos ligados à raça Akita e também a ligação deste cão aos desejos de saúde, felicidade e vida longa.
Mais do que representar somente a lealdade do Akita o monumento é uma singela mensagem de amor entre os cães e as pessoas. Piegas ou não, quis simplesmente que fosse um post especial...

Update:
Foi um lapso da minha parte não citar o filme Hachiko: a dog's story, com Richard Gere, baseado na história de Hachi e que tem apontado nas bilheterias japonesas. Não há previsão certa para que possamos ver o filme por aqui ainda, mas fica o trailer:




à minha Yuki e à Lilica de Tati que partiram este ano

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