terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Porto da Pedra

Kasato MaruÉ isso aí... estávamos todos alvoroçados para escrever sobre a Porto da Pedra aqui. A escola de samba carioca teve a infeliz idéia de ter como enredo o centenário da imigração japonesa sem um pingo de informação. Pois bem.. na noite do desfile ficamos de plantão para ver o resultado... e acreditem, os nossos comentários valeram muito mais a pena do que os pseudo-comentaristas globais.

Com o título (argh): Cem anos de imigração japonesa: tem pagode no Maru, a Porto da Pedra começou o desfile de erros e comentários bizarros. Pois bem... para quem não sabe... Maru (que eles fizeram questão de deturpar com um título tronho) é na verdade Kasato Maru, navio que trouxe os primeiros imigrantes japoneses para o Brasil em 1908 e não, ele não era feito de bambu e muito menos possuía marinheiras contemporâneas como foi mostrado em um dos carros alegóricos.

Ok... voltemos ao início do desfile. A comissão de frente trouxe dançarinos que representavam o teatro Kabuki, mas demorei um tempo considerável para me dar conta disso, porque afinal de contas, eles estavam sem a peruca, que eu até hoje achava ser a marcante no teatro Kabuki. Quando colocaram a cabeleira nos surpreendemos com o aspecto de... dreads. Também encontrei um Pai Mei dourado e um coreógrafo vestido de chinês. Ops... o enredo não era sobre Japão? Talvez ele tenha esquecido e por isso colocou uma bela peruca com uma trança à la Shaolin.

Logo damos de cara com a nossa querida Ciclana, comentarista da Globo, que ao ver o carro com o símbolo da escola (o tigre), logo foi dizendo todo o histórico do felino. Foi um ótimo documentário animal, mas então os dois (ciclana e fulano, também comentarista) nos presentearam com uma pronúncia fluente de japonês com um ótimo: TorÁ! Bom, que eu me lembro das liçoes aqui de casa, tigre em japonês é tora, mas torá não era o nome dado aos cinco livros da Bíblia Judaica?

Baianas? Gueixas? não! São Mickey Mouses!!!Ok... passado o susto do torÁ demos de cara com a ala das baianas. Eu recebi ao mesmo tempo duas mensagens simultâneas no meu computador com o mesmo comentário (que bateu exatamente com o meu pensamento na hora): "Nuss! Parece um monte de mickey mouse gordo!" (nada contra gordos, porque, aliás, nosso hashizeiro mexicano sempre nos ensinou a assumir a origem Gorda e não Gordinha). Foi com mais atençao que olhei para as baianas felizes da vida com suas gigantescas perucas de gueixas que realmente lembravam as orelhas do Mickey, ou Minnie, como você desejar. E claro, não podemos esquecer os comentários sábios de Ciclana e do Fulano sobre a fantasia: "muito bonita a ala das baianas. Cerejeiras muito simpáticas essas da fantasia, não?".

manÉQUI nÈKO... -_-Passado o trauma das baianas nos focamos nas outras alas.. tudo tranquilo até então, mas de repente olha lá uma ala de maneki neko (sim, os famosos gatinhos da sorte). Estava indo bem enquanto Ciclana e Fulano se limitavam a falar: gatinhos da sorte, mas então, Ciclana, descontente com os termos dentro de seu conhecimento soltou um terrível: MANÉQUI NÉKO. Foi o fim, mas não bastava.
Logo foi avisado que o carnavalesco da Porto da Pedra não tinha nenhum conhecimento sobre mangas. Ele simplesmente não sabia do que se tratava, mas sabia que os adolescentes brasileiros gostavam muito (e para ele se limitou a isso, viu) daí utilizou esse pessoalzinho como fonte de informação e o resultado foi um carro alegórico com porquinhos e cachorrinhos e um robô gigante cheio de mesas de desenhistas em volta. Por favor, li em um site que se tratava de um importante personagem dos mangas, mas eu não sei dizer qual. Quem souber deixe aqui seu comentário. Além do carro a ala dos mangás foi toda cheia de robozinhos que disseram em uma reportagem na tv aberta que não tinham ideia do que representavam (uauuu conta uma novidade, né!). E Ciclana ainda acrescentou sobre os jovens dessa ala: "são Coussssplayersss". Ela adorou esse lance de ensinar uma nova pronúncia para tudo, não acharam?

Tempo correndo e a escola começou a correr também e finalmente vimos a madrinha de bateria Angela Bismarchi que expalhou bizarramente pela mídia mais uma de suas infinitas cirurgias plásticas. Desta vez ela puxou os olhos para os desfile com uma técnica "reversível" pois não queria depender apenas de maquiagem, mas de algo que durasse o desfile inteiro com segurança e não algo que fosse desaparecendo na avenida (entrevista para o Superpop de segunda feira). Dizem que ela estava fantasiada de gueixa, mas sabe, nesse desfile eu tive muita dificuldade para decifrar muitas coisas.

Frankenstein... digo... Angela BismarchiBom...uma hora isso precisaria ter um fim, não é? Perto do final veio o carro retratando Asakusa, o maior carnaval fora do Brasil e que foi grotescamente pronunciado como: Assakuça (não preciso dizer quem foi, né?). Infelizmente ninguém, mas ninguém mesmo entendeu o que foi aquele carro... entendemos os leques que abriam e fechavam, mas nada além disso.
Como estamos longes de ser mercenários achamos legal a presença de vários orientais na avenida. Eles tiveram uma ala só pra eles e foi uma graça vê-los desfilar. Também houve alas bonitinhas e fantasias bem feitas, mas como me disseram: "eles só erraram o país".
Só para deixar claro, sabemos que a intenção foi boa e que a tentativa foi ainda mais válida, mas acreditamos sempre na força de informações bem investidas e o que observamos foi uma total incompreensão do que estava sendo exibido no dia. Triste para nós, mas não quer dizer que não seja engraçado.

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